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Literatura: Minha fila de livros e Clarice Lispector

domingo, 11 de agosto de 2013 | 15:42 | 0Comentários
Neste final de semana, resolvi colocar para andar a fila de livros que me aguardavam inquietos na minha estante.
Enfileiravam-se o ilustre Hemingway em "Paris é uma Festa", seu amigo Scott Fitzgerald com o aclamado "The Great Gatsby", nossa Clarice Lispector no "Clarice na Cabeceira - Jornalismo" com organização e apresentação de Aparecida Maria Nunes, seguida pelo atual e comentado John Green com "A culpa é das estrelas". 





Admito ter feito uma transgressão de prioridades nessa fila, comecei com Hemingway e John Green simultaneamente. Mas quero falar sobre ela, Clarice Lispector... Não chamo de diva literária, por acreditar que ela não apreciaria tal definição, além de tímida era avessa a qualquer tipo de padronização, quanto mais a qualquer tipo de rótulo!


  Semana passada entrou  em cartaz no Rio a peça "Simplismente eu, Clarice Lispector". Um monólogo cuja direção e atuação são de Beth Goulart. Quero muito assistir. Foi também o que causou arbitrariedade na minha fila de autores, além do tácito desejo de entrar um pouco mais em contato com o universo clariciano. Os seus pensamentos e profundidade são tão bem expressos,  esta seria uma outra maneira de lhe agradecer, quiçá com esse pequeno e humilde post...


  "Clarice na Cabeceira - Jornalismo", conta-nos o início de sua vida como jornalista e estudante de direito. Nos traz um relato do percurso profissional e literário da autora e sua contribuição para as colunas que escrevia. Me chamou atenção neste percurso o correio feminino em que contribuiu protegida pelo pseudônimo de Helen Palmer, escrevendo sobre moda, beleza e comportamento. Sua crônicas eram a respeito do status quo mantido pelo universo feminino dos anos 60. 


  Seus textos ecoam  fiéis quanto as reflexões que tenho sobre os fatos da vida. Em entrevista à tv cultura diz: "no fundo eu escrevo muito simples", quando questionada a respeito das coisas simples hoje serem recebidas de maneira complicada, ela responde: "talvez, talvez... Eu escrevo simples. Eu não enfeito." Clarisse estava sempre buscando a realidade de seus sentimentos expressos em palavras. Acredito que qualquer "mulher esclarecida" que pouse seus olhos sobre suas frases entre na pele de Clarice,  assim como ela  entrava na  pele das mil mulheres que era... Será este o motivo de  escrever sobre os mais diversos temas e de diferentes formas, sendo sempre nova e única? Quer através de contos, crônicas ou até mesmo romances? Quem sabe talvez por  possuir tantos personagens em seu interior? Esta dúvida permanece... Mas que ela nos conta muito de si, de nós mesmas, do universo feminino, dos entraves do ser-humano, e essencialmente da subjetividade de ser mulher, isso é fato inegável!




Segue esta crônica do Correio Feminino para nos deixar o gostinho de Clarice...

Uma Mulher esclarecida
"Uma 'mulher esclarecida' não é, como algumas querem fazer crer, e muitos homens sabidos teimam em convencê-las, uma mulher sem escrúpulos e sem preconceitos, pois a viver como parte de uma sociedade, toda criatura tem de seguir as leis dessa sociedade, quer as ache certas ou erradas. Digo-lhes que a "esclarecida" é a mulher que se instruiu, que procura acompanhar o ritmo da vida atual, sendo útil dentro do seu campo de ação, fazendo-se respeitar pelo seu valor próprio, que é companheira do homem e não sua escrava, que é mãe e educadora e não boneca mimada a criar outros bonequinhos mimados.
O fato de uma mulher ser livre não implica que ela deva libertar-se também dos liames de moral e pudor, que são, afinal, embelezadores da mulher, e, portanto, indispensáveis à sua personalidade. A mulher esclarecida sabe disso. Ela estuda, ela lê, ela é moderna e interessante sem perder seus atributos de mulher, de esposa e de mãe. Não tem de trazer necessariamente um diploma ou título, mas conhece alguma coisa além do seu tricô, dos seus quitutes e dos seus "bate-papos" com as vizinhas. Ela cultiva, especialmente, a sua capacidade de ser compreensiva e humana, Tem coração. Despoja-se do sentimentalismo barato e inútil, e aplica sabiamente a sua bondade e ternura. É mulher. Você, minha leitora, não limite o seu interesse apenas à arte de embelezar-se, de ser elegante, de atrair os olhos masculinos. A futilidade é fraqueza superada pela  mulher esclarecida. E você é uma 'mulher esclarecida', não é mesmo?"

Eis aí, mulheres esclarecidas! Um muito obrigada a Clarice, por nos lembrar através de sua escrita o que é realmente necessário a vida. Um pouco  mais de alma.

Por Lorena Krivochein

Bibliografia: Clarice Lispector, in Clarice na cabeceira, "uma mulher esclarecida" in correio feminino, youtube - tv cultura, google, kdfrases.com. 

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